domingo, 1 de maio de 2011

Passeio (repostagem)


hoje visitei a beira do abismo
eu e meu jeans

no fundo, sempre achamos que o tempo não iria passar
acocorei-me sobre o limbo que cobria o chão que pisava
abotoei uma borboleta amarela na lapela
cobri-me daquele sol desbotado e velho
apanhei um cogumelo solitário que insistia em crescer na pedra
cheirei duas nuvens passageiras
mas resolvi não olhar para o espelho do mar

e o azul acima da minha cabeça sempre me desafiando

resolvi seguir pra lá

estou cansado de tentarem me convencer que envelheço


(Celso Mendes)

12 comentários:

Assis Freitas disse...

uma calça velha azul e desbotada, o tempo não pára


abraço

Sandrio cândido. disse...

O tempo, enigma, invencivel e necessário
beijos

Parole disse...

O tempo passa, querido... se não ficamos melhores, com certeza ficamos mais experientes e quem sabe, até mais bem vestidos.rsrsrs

Beijos

Leonardo B. disse...

[do tempo, a passagem e rodeira do caminho, raramente o próprio passo]

um imenso abraço, Celso

Leonardo B.

MARILENE disse...

Não olhou para o espelho do mar, que mostraria, tão somente, um lado do seu ser.

marlene edir severino disse...

Não deixe que te convençam!
Deixe que aflore espontânea
a criança
e essa alma de poeta!

Beijo, amigo!

Marlene

dade amorim disse...

Lindo esse passeio, Celso.
Apareça lá no Inscrições, tá?

Abraço.

Júlio Machado disse...

Envelhecemos, empregando eufemismo: "melhor-idade". Isso é fato. Mas se você não soubesse a sua real idade quantos anos você acha que teria?

Abraços poéticos!

Daniela Delias disse...

E por acaso um poeta desses envelhece rs? Que lindo, amigo!

CARLA STOPA disse...

Simplesmente fantástico, amigo...

Menina no Sotão disse...

Eu sempre dou de ombros para essa coisa de tempo e idade. Acho necessário envelhecer, afinal, o dia trás outro dia. Mas a alma não precisa entregar-se a coisas tão humanas, não é mesmo? bacio

Milene R. F. S. disse...

Eu também pensei que o tempo não ía passar...mas ele passa... o importante é não envelhecermos por dentro... é manter a poesia e o encanto sempre vivos, como vc sabe fazer... adorei o poema, beijos!