quarta-feira, 18 de maio de 2011

A escuta

onde a voz aponta
e o dedo alcança
sangro esta palavra
em riste, como peito
em lança sem escudo
como água em pedra cristalina
como o rugido do fogo
silêncio de horizonte sem auroras
bocejo de luas amanhecidas
solares sorrisos de criança

nos lábios, as digitais
nos olhos, o viajar repleto de sílabas
nas falanges distais, o início

e quando o grito rompe
o eco das estrelas
calo
contemplativo
a escutar o ruflar do universo
pulsando infinitos

(Celso Mendes)

5 comentários:

Joelma B. disse...

"onde a voz aponta
e o dedo alcança
sangro esta palavra
em riste"


não se mapeiam viagens na pele...
o rumo dos arrepios é imprevisto!

beijinho maravilhado, meu amigo poeta!

Wania disse...

Celso,


"silêncio de horizonte sem auroras
bocejo de luas amanhecidas
solares sorrisos de criança
"


Toda a poesia é repleta de imagens lindas, mas estes três versos são belíssimos! Não tem como não se calar diante deste TEU UNIVERSO!


Bj grande, meu amigo.

manuela barroso disse...

Uma poesia densa, intensa, divina!
Mas a última estrofe deixou-me ainda mais meditativa! Extasiadamente contemplativa!
..."a escutar o ruflar do universo
pulsando infinitos"
...só de um, mas um coração que antes de ser poeta, já o era!
Grande poeta!
Fraterno abraço

Parole disse...

Seus poemas são puros deleites para minha alma curiosa, Celso.Me vem mil coisas...

"O início era o verbo"... aqui, a escrita.

Maravilhoso te ler.

Beijinhos.

Flá Perez (BláBlá) disse...

adorei!!!