quarta-feira, 16 de março de 2011

Fumaça


arrasto comigo uma sede
de cenas que não vivi
de barcos que já partiram
de peles que não senti
arrasto uma linha pendendo
pras bandas do fim do mundo
que escorre a cada segundo
nas brechas por onde adentro
e levo dois milhões de olhares
mil bocas que não beijei
imagens que guardo lá dentro
e um rastro que não deixei

(Celso Mendes)

12 comentários:

Suzana Martins disse...

Guardo o poema beijado no verso abraçado da fumaça que soprei.
Arrasto as palavras, o sonho e as pegadas que na areia deixei!!

Beijos

CARLA STOPA disse...

Rastros? Os seus são milhares como olhares e bocas...

Lídia Borges disse...

Como água que nos foge entre os dedos, assim é esse sabor a pouco que a vida faz questão de nos ensinar.

Um beijo

Daniela Delias disse...

Que lindo...também sinto tanta saudade de coisas que não vivi! Bjo, carinho.

Celso Mendes disse...

Obrigado meninas, pela leitura!

Beijos!

Ana Morais disse...

Talvez os seus rastros sejam pra sempre, em cada palavra solta, timidamente se deixa entrar no que guarda dentro de si.
Mais uma vez, lavo minha alma nas suas escritas!

Um grande abraço, poeta.

Ana M.

Jarbas Siebiger disse...

Irei quebrar a corrente feminina e apor, pelo gosto de provocar, um sucinto "muito gostei!".

Marielle Sant'Ana disse...

Esse poema mostra que nem sempre onde há fumaça suscita em fogo. O fogo que queima e deixa rastros quentes da paixão. Eu não me arrependo pelas bocas que não beijei, porque eu gosto de deixar marcas de fumaça para quem não merece fogo... rsrs Gostei do escrito e da ilustração.

Abraços, poeta!

« Katyuscia Carvalho » disse...

Por isso, o caminho por trás é farto... um fado de sonhos a se cumprir!

Que belo texto, poeta.

Assis Freitas disse...

belo, belo

abraço

Celêdian Assis disse...

Esvaindo-se o tempo como fumaça, a sensação de que o próprio tempo nos privou de prazeres e realizações e fica aquele gosto grudado do que não se sentiu. Belíssimo poema, Celso.
A próposito, eu deixei-lhe a mais dias uns comentários em dois outros poemas, não os recebeu?
Aproveito também o espaço para agradecer-lhe pela visita ao meu blog e por o estar seguindo. Obrigada!
Um abraço
Celêdian

Creito disse...

maestria na construção do poema. E imagens perfeitamente concatenadas. Poxa, Celso, louvável poema, amigo!

é muito bom te ler!

essa inversão dos signos, de um verso para o outro, feita de forma quase imperceptivel...

adorei.