quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Ser de água


Somos todos seres de água e da água, e apesar disso não sabemos cuidar de nossa essência, fonte de toda vida do planeta.

tenho na mente
a memória da água
que me criou
que me lavou
que me saciou

tenho na mente
a água com qual me unges
e a com que te inundo e fecundo
a água que me purifica
circula-me o ar
verdeja-me os olhos
azula meus mares

é essa a memória
que eu queria levar
às nuvens
antes de chover
como tantas e tantas vezes
para poder escorrer puro
de novo
e de novo
e de novo
até secar
de vez

(Celso Mendes)

4 comentários:

Larissa Marques disse...

água

em sua boca
sou fluida
quase falida

em ventre
o gozo
quase parida

em lábios
essência
saliva

Celso Mendes disse...

Larissa, que lindo poema! Fluído do meu? Isso me gratifica muito...

Beijo!

Jarbas Siebiger disse...

coincidência ou não, teu poema desponta, justamente, num dia em que se evocam signos aquáticos

enquanto os templos desabam, pedra por pedra, tu eriges poesia,

gota a gota

Celso Mendes disse...

Jarbas, é uma grande satisfação saber que esteve presente aqui. Seu comentário, além de generoso, é muito bonito. Enriquece a postagem.

Grande abraço