terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Escrito


este lamento não tem som
pertence ao silêncio
e se compõe de inconcretudes

estes dizeres não têm forma
são ventanias
mas possuem a franqueza da rocha

se eu sangro pelas mãos
é porque os olhos já calaram
e a boca desconhece
as palavras que sinto

(Celso Mendes)

9 comentários:

Lara Amaral disse...

Os sentidos são desafiados, mas ainda podemos perceber a força da angústia.

Beijo, poeta!

Ana F. disse...

bela metáfora para o processo de escritura. inevitável sangrar pelas mãos, às vezes...

belo texto!

Sueli de Moraes disse...

E quando as palavras que sinto ensurdecem o lamento inerente à incompletude do passado curto, agradeço o legado: escrever, desenhar, pintar, criar e finalmente escrever...escrever...escrever...

Celso, suas 'palavras sentidas' foi sentida por aqui. bj

Geraldo de Barros disse...

muito bonito, Celso, esse poema, parabéns!

um abraço
G

ErikaH Azzevedo disse...

A mão que sabe sangrar deixa um pulsar em tudo que toca.

Um beijo de quem passa.

Erikah

. disse...

Belo!!

Abraço Celso!

Celso Mendes disse...

Obrigado a todos. Feliz pelos comentários...


Abraços!

Maria G. disse...

São as mãos a dar corpo ao sentir. A elas cabe a última palavra... A palavra escrita, criada no silêncio das pedras, no coração do lamento.

M.G.

Suzana Martins disse...

Esses versos fazem barulho em mim trazendo melodias novas e encantadoras que calam o silêncio de meus tortos versos..

Abraços