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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Divagar, e sempre

(I)

sopram-me segredos oceânicos
[estabeleço uma latitude inatingível para meus sonhos]


(II) 

sobre  palavras que buscam o encanto
que ao vento se vergam
frugais
palavras de trigo
palavras que alimentam almas
debruço-me


(III)

do que foi dito
da lida, do lido
da prece aprendida ao olhar da noite
das confissões à sombra
rasgo fantasmas ao fogo de rochas cadentes
guardo o lume
insemino um novo sol
e prossigo


(IV)

de brisa leve ou de furacão. aprendi que chuva sempre pinga vida. que tempestade renova.
(no movimento perpétuo da matéria, a constatação de que somos mutantes)


(V)

— |acendo estrelas para cada novo sono•às vezes chove•amanhã acendo outra vez•às vezes brilha•acendo•por vezes dói•acendo•sempre vale a pena•um dia sei que apagarei|



(Celso Mendes)

sábado, 20 de julho de 2013

Breve Reflexão Sobre Movimento e Caminhada


Somos breves. Temos de sê-lo. Só temos esta alternativa. Nesta brevidade em que pouco tenho escrito, procurando entre antigos poemas ainda não publicados, depara-mo com alguns, cuja temática, sem que eu perceba, me é recorrente. Separei apenas dois para postar hoje, para reavivar este blogue neste tempo tão pouco e pequeno em que me insiro.


Caminhada

não, não é o acaso.
é a espera delirante que me espreita
com  seus fios de aço a amarrar lembranças;
compasso de amassar cadências sobre toalhas
infestadas de calêndulas.

ser de apenas ir, ser estrada, não ser volta.

também não deve ser o ocaso;
deve ser este mantra que me atormenta
a desenhar seu templo de rugas nesta pele marcada
pela brisa de um tempo
que me consome os rubros.

 (Celso Mendes)



Breve Reflexão Sobre Movimento

partilho contigo uma flecha.
apontamos um alvo
salvo de partidas; uma chegada.

tentamos abrandar  o tempo com fogo
ou gelo, mas machuca.  sempre.
os olhos, os olhos que ficam,
arranham-nos.

e o alvo não existe;  só a busca.
e impressões  impregnadas por companhia
: somos apenas trajeto.
[então, que o sejamos juntos]

(Celso Mendes)