terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Divagar, e sempre

(I)

sopram-me segredos oceânicos
[estabeleço uma latitude inatingível para meus sonhos]


(II) 

sobre  palavras que buscam o encanto
que ao vento se vergam
frugais
palavras de trigo
palavras que alimentam almas
debruço-me


(III)

do que foi dito
da lida, do lido
da prece aprendida ao olhar da noite
das confissões à sombra
rasgo fantasmas ao fogo de rochas cadentes
guardo o lume
insemino um novo sol
e prossigo


(IV)

de brisa leve ou de furacão. aprendi que chuva sempre pinga vida. que tempestade renova.
(no movimento perpétuo da matéria, a constatação de que somos mutantes)


(V)

— |acendo estrelas para cada novo sono•às vezes chove•amanhã acendo outra vez•às vezes brilha•acendo•por vezes dói•acendo•sempre vale a pena•um dia sei que apagarei|



(Celso Mendes)

10 comentários:

cirandeira disse...

És mesmo um acendedor de estrelas que rasga fantasmas para desvendar a luz do sol!
Fico feliz que estejas voltando. Tua poesia me enche de alento, de motivos para continuar procurando pelo Sol!
Obrigada pela partilha e também por tua visita.

Um beijo, amigo

marlene edir severino disse...

Bom que estejas de volta, amigo!
Não posso prescindir da tua poesia.

E se afirmas que guardas o lume,
que posso dizer de tanta luminosidade aqui?

Lindo, lindo!

Abraço carinhoso, poeta!

Joelma B. disse...

e os olhos da Lira ascendem ao te ler...

beijo, poeta Celso!

Eleonora Marino Duarte disse...

«palavras de trigo
palavras que alimentam almas»

saio nutrida.
que poema bonito!
um beijo, poeta.

O tempo das maçãs disse...

Tal como o trigo ao vento, me curvo a sua poesia.Belíssima.

Que bom que voltou, querido.Já tinha saudades.

Beijinho.

Pérola disse...

Olhares, pensamentos, palavras que divagam, que se transformam em linhas coloridas com as quais teces poesia linda.

beijo

Cris de Souza disse...

Vejo que voltou com tudo...

Beijo, doutor da lira!

Lídia Borges disse...


Gosto imenso dessa imagem do acender estrelas. Escrevi, há tempos, sobre o mesmo tema. "Acendedor de Estrelas", assim se chamava o texto, que está publicado no meu último livro.

Um beijo

Márcia Poesia de Sá disse...

Como sempre, maravilhoso...deu saudade deste lugar vim voar contigo.

Anna Amorim disse...

Ouvir segredos oceânicos, rasgar fantasmas, inseminar o sol, prosseguir e saber-se finito!


Abs,poeta