sábado, 20 de julho de 2013

Breve Reflexão Sobre Movimento e Caminhada


Somos breves. Temos de sê-lo. Só temos esta alternativa. Nesta brevidade em que pouco tenho escrito, procurando entre antigos poemas ainda não publicados, depara-mo com alguns, cuja temática, sem que eu perceba, me é recorrente. Separei apenas dois para postar hoje, para reavivar este blogue neste tempo tão pouco e pequeno em que me insiro.


Caminhada

não, não é o acaso.
é a espera delirante que me espreita
com  seus fios de aço a amarrar lembranças;
compasso de amassar cadências sobre toalhas
infestadas de calêndulas.

ser de apenas ir, ser estrada, não ser volta.

também não deve ser o ocaso;
deve ser este mantra que me atormenta
a desenhar seu templo de rugas nesta pele marcada
pela brisa de um tempo
que me consome os rubros.

 (Celso Mendes)



Breve Reflexão Sobre Movimento

partilho contigo uma flecha.
apontamos um alvo
salvo de partidas; uma chegada.

tentamos abrandar  o tempo com fogo
ou gelo, mas machuca.  sempre.
os olhos, os olhos que ficam,
arranham-nos.

e o alvo não existe;  só a busca.
e impressões  impregnadas por companhia
: somos apenas trajeto.
[então, que o sejamos juntos]

(Celso Mendes)

5 comentários:

Assis Freitas disse...

vívido e revivido, a poesia pulsa



abraço

Celso Mendes disse...

grato, Assis. aliás, relendo a postagem peço que me perdoem os leitores pelo erro ao digitar a palavra "recorrente" em minha breve introdução (erro já devidamente corrigido).

Joelma B. disse...

reavivar cantos
levar as voltas adiante
reexistir

beijo, poeta! Sempre bom te ler!

Wasil Sacharuk disse...

bom te ler novamente

marlene edir severino disse...

" é a espera delirante que me espreita
com seus fios de aço a amarrar lembranças;"

"e o alvo não existe; só a busca"

Feliz com tua volta, poeta!
Afiadíssimo sempre. Delícia te ler.
Abração!