sábado, 3 de abril de 2010

Rumo

À espreita do inverno,
eu conservo cores
desses olhares
como relicário.
Mesmo à porta do inferno
perseguem-me
aromas.

Não seguirei sem minhas garras
que já não arranham,
mas são minhas.
O caminhar em folhas secas
de outono
não existe. Meus passos
são os de sempre, sobre um chão
escorregadio, sabedor
de minhas fragilidades.

Em meu rastro,
veneno
e flores.

(Celso Mendes)

3 comentários:

Marcia Poesia disse...

Ler o Dr. Poesia Celso mendes é um privilégio...ele tem uma maneira muito propria de escrever e em seus poemas podemos sentir claramente a alma e o sentimento do poeta...que nos faz voar, levitar em seus versos...sou fã de carteirinha...

Obrigada por compartilhar amigo!
Teu espaço está de extremo bom gosto além de repleto de jóias literárias. Abraço grande.

Dayse Sene disse...

Fascinante!
Mãos que operam a arte de escrever e a arte da vida.Duplamente perfeito nos dois "rumos" que sssim escolheu para puxar para si uma atenção específica. A poesia e a medicina são interseção para se viver melhor.Não se vive sem a cura e não se ama sem poesia.
Parabéns.

Celso Mendes disse...

Obrigado amigas...

Beijos!