quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Infinitudes de um passado em expansão


bebo do sol deste céu
deste sal que me escorre negro
deste lamento turvo e rubro
a arder-me a voz plena de sombras
do mais distante
do mais longínquo
do mais pretérito
arrebol

eu sei, eu sei
sei sim
que vento em pranto
é tempestade
que só

assola lírios inconsolados
pela palavra que queima
e alimenta
a imagem ferida
do entardecer
que silencia
cada dia

e é assim

afago
manhãs
e afogo
crepúsculos
agonizantes
na escuridão
de noites sem fim

bem aqui
aqui em mim

(Celso Mendes)

23 comentários:

OceanoAzul.Sonhos disse...

Que as manhãs irradiem sol e os crepusculos levem silencios que apertam corações, deixando suave a noite e claro o dia.

Lindo poema Celso.
Beijos
oa.s

Suzana Martins disse...

Deste céu que escorre em mim, encontro letras de tempestades embriagando o tempo.
Silencia as nuvens turvas de um sentimento que escorre feito chuva de um céu, de um sol que caminha em mim...

Belo, meu amigo!!

Beijos

Daniela Delias disse...
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Daniela Delias disse...

"É tempestade que só...". Tanto sentimento nessos versos!
Bjs, amigo querido!

« Katyuscia Carvalho » disse...

O que dizer?
Tudo tão belo...
Parece que aflora um lírio nos nossos olhos, estendidos sobre tanto lirismo teu!

Beijos, poeta.
O poema está um primor!

Luna Sanchez disse...

E é isso : somos o mundo inteiro.

Inspirador, Celso, Gostei muito.

Um beijo.

Ana Cecilia Romeu disse...

Celso,
o vento da viração que vira em nós, remexe, escolhe e encolhe o que virá do que já foi.
Belíssimo,poeta!

A propósito de vento, aqui em Porto Alegre começou o "nordestão", um vento meio de lado e fortíssimo, anuncia mais uma viração (de temperatura, pois sim!)

Beijos.

Assis Freitas disse...

tanta coisa que nos cabe e não se cabe de expansão,



abraço

Lídia Borges disse...

Celso, a sua poesia é muito sedutora pelo trato que dá à palavra, enchendo-a de música e de encanto:

"afago
manhãs
e afogo
crepúsculos
agonizantes
na escuridão
de noites sem fim

bem aqui
aqui em mim"

Um beijo

L.B.

Natalia Campos disse...

Teus versos são tão cancionados. Dá uma vontade de cantá-los. Mui belo, querido. Parabéns!

Beijos. Au revoir!

Ricardo Mainieri disse...

Celso, nosso mundo interior é constituído de galáxais, sóis, planetas, buracos negros, quasars. É multidimensional. Este poema mostra a trajetória das emoções, ora escuras, ora um pouco menos sombrias. Em suma, versos de sensibilidade, tentando descrever o inefável.

Abs.

Ricardo Mainieri

Ricardo Mainieri disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Reflexo em Coisas de Mulher disse...

Que delícia de blog e que encanto de texto!
Muito bom vir conhecer aqui.
Te espero la no meu canto, ha uma assunto por la que seria
perfeito ter sua impressão sobre.
Escreve no Bar do Blog é? Que dia escreve?
Eu tambem.
Esta no novo livro?
Te espero.
Bjns entre sonhos e delírios

Cris de Souza disse...

Lirismo sem fronteiras em plena expansão.

Beijo, poeta tão querido!

Sandrio cândido. disse...

Gostei do tom lirico que já algum tempo percebo na tua escrita celso.
Abraços

Fred Caju disse...

Nada como um gole de sol!

Muito bom, camarada!

Raul Macedo disse...

wow, lirismo meta-cósmico. Tá muito bom.
Abraços.

Wania Victoria disse...

Celso, como é difícil amanhecer destas noites sem fim que nunca deixam de nos habitar!



... mas a poesia, com certeza, nos acorda!

Bj grande, meu amigo.

Jorge Pimenta disse...

querido amigo celso,
somos feitos de finitos e infinitos a modelar-nos desejos e expiações. talvez um dia compreendamos que, ainda que no lusco-fusco de manhãs por acontecer ou crepúsculos sem terminar, o caminho é todos os caminhos. serão os pés a modelar os trilhos e não o contrário.
forte abraço, poeta inteiro das inquietações que engrandecem!

Arnoldo Pimentel disse...

Um belo e intenso poema.Parabéns.

Rafael Castellar das Neves disse...

Muito bom Ceso...isso realmente é uma expansão...e das boas!

[]s

Dolce Vita disse...

Tua poesia alcança a beleza em plenitude. Ler-te é sempre um grande prazer.

Beijos

Tiago do Valle disse...

Imagens que parecem externas. "Parecem"... Quando se percebe, tudo está dentro da gente. Muito bom te ler, Celso.