segunda-feira, 10 de agosto de 2015

A espera

e não há lamento:
um sereno torpor a lhe invadir  a calma
uma esperança vermelha
o risco a giz no solo negro
as letras imensas
o foco

o tempo a passar preciso
corta o escuro cirurgicamente
absoluto

e por que adiante será dia
e na noite se guardam todas as vidas à espera do fogo
repousa nos lábios
o mais suave silêncio

(Celso Mendes)

7 comentários:

Andréa Iunes disse...

Sempre muito bom te ler, amigo poeta!

Dolce Vita disse...

Imagens lapidadas com maestria. Ler-te é um privilégio! Beijos

Ricardo Mainieri disse...

Celso, por vezes as sombras que vivem em nossas profundezas ganham imagens e palavras. Como neste poema soberbo. Abração do Ricardo Mainieri

Cesar Veneziani disse...

Um verdadeiro mestre! A sensação após a leitura é sempre boa, nos eleva!

cirandeira disse...

Uma incisão poética perfeita realizada por quem possui também a maestria das palavras quando fala dos sentimentos humanos. Belíssimo poema, amigo. PARABÉNS, mais uma vez.

Um beijo

Paulinho Dhi Andrade disse...

"e por que adiante será dia"

Aplausos.

Diário do Escritor disse...

Dá a entender que a Morte é mais bela que a Vida.

Gostei.