sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Movimento em si menor

por não ter onde ir, cá estou
e espero que o final seja breve
que se molhe o silêncio a fio de lâmina
que se rasguem pedaços de nada até sangrar o branco
e que se aplaquem os vazios
destes meus olhos
que têm sede

(Celso Mendes)

20 comentários:

Assis Freitas disse...

a sede que não se aplaca,
"nem se eu bebesse o mar/encheria o que eu tenho de fundo"


abraço

Cartas de Julieta disse...

"Manipular palavras"... É bem isso que eu faço e é aí que me escondo...

Gostei do seu espaço. O dicionário dos seus afetos aplaca a minha sede... Bjs

Jorge Pimenta disse...

domasse o poema os vendavais que semeia com as palavras e toda a sede seria mero oceano de completude.
esse teu poema é o alvo e a flecha, querido amigo. no vaivem dos olhar, se aplacam vazios e se alimenta toda a sede.
um abraço com os olhos ainda aturdidos deste movimento em si menor para poema maior!

Weslley Almeida disse...

Tem um tom existêncial muito forte nesses versos. Que decifra meu momento atual.
"rasguem pedaços de nada até sangrar o branco"
Ufa!

MIRZE disse...

Tão triste, Celso!

A música me deixou em lágrimas.

Belíssimo!

Beijos

Mirze

OceanoAzul.Sonhos disse...

Imenso!

beijos
oa.s

Sandrio cândido. disse...

Está se tornando um existencialista heim!
abraços

Jenny Paulla disse...

vazios e ânsias nos fazem eternamente insatisfeitos.

Cecília Romeu disse...

Os olhos que tem sede de ouvir..., uma sinestesia implacável nas mãos do Poeta que nos mata a sede de palavras que nos rasguem a alma em si menor.

Celso,
maravilhoso!
Sem mais palavras, estas: um privilégio seu que nos traz.

Beijos e ótimo fim de semana!

Cris de Souza disse...

a sede dos bárbaros...

beijo desta impaciente, doutor da lira!

Daniela Delias disse...

Esse poema é maravilhoso...simplesmente maravilhoso!
Mil beijos!

Luna Sanchez disse...

Olhos saciados nem sempre são olhos felizes.

Como percebo bem essa verdade...

Um beijo, Celso.

Lídia Borges disse...

"Movimento em si menor" Muito criativo.
Deve ser um movimento contínuo de fora para dentro, de modo a que os olhos não saciem essa sede incessante de vida.

Um beijo

Fred Caju disse...

Que têm sede, que são seda.

Muito bom, Celso!

Fátima disse...

Oi Celso

Os vazios da alma, de sedes humanas nunca saciadas.
Lindas tuas palavras.

Beijo meu

Menina no Sotão disse...

Essa sede que não é de água e sim de matéria... rs

bacio

Tiago do Valle disse...

Seus versos são sempre impactantes. Causam um certo revertério, mas totalmente prazeroso, como uma montanha russa dos sentidos. Muito bom, parabéns!

Luiza disse...

essa sede que faz a gente inventar água pra beber, tua poesia é plena de beleza :)

Beijos

Dolce Vita disse...

Olá Celso,

Enquanto lia tua belíssima construção poética pensei que está se aproximando das águas da síntese, onde se diz tanto em brevíssimos espaços.

Sempre bom demais ler-te!

Beijos, meu querido amigo,

Batom e poesias disse...

Parece que andamos, os poetas, a arrastar correntes na solidão dos vazios pessoais.

Celso, seu comentário no meu último poema foi comovente, e o poema de Drummond um presente!
Traduz-me melhor do que eu jamais traduziria.

Grata, meu amigo.
beijos no coraçã♥

Rossana