quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Vertedura

porque verte
tanto e tanto
há o encanto
da palavra bruta
em saliva lascada
massa de poema a ruminar

imagens germinam e dançam
no céu vermelho da boca
sonho ante sonho
verbo pós verbo
[desde a raiz da língua fendida]
enquanto não coagula
a seiva
exposta a  luz
ou a sombras

e assim se fez
e assim se faz
e se fará

decantação

(Celso Mendes)

27 comentários:

marlene edir severino disse...

Decantado está.
Lindamente, Celso!

Beijo, amigo!

« Katyuscia Carvalho » disse...

"...palavra bruta
em saliva lascada"

Isso é de se parar e ruminar por longo tempo, sim!

Depois, descalçar-se e ir dançar a segunda estrofe, enquanto o poeta decanta!

Parabéns, Celso!
Poema brilhante.

OceanoAzul.Sonhos disse...

Parabéns Celso, sempre nos encantas em sonhos, palavras, poesias que decantam a alma.

Bj
oa.s

Jenny Paulla disse...

verteu a lava, derramou sobre o poema, o engoliu rápido ainda queimando a língua e verteu toda a alma, derramada ao deleite.

bjss

Assis Freitas disse...

decantação: estágio de purificar
purificar: acrisolar a inteligência na reflexão


abraço

MIRZE disse...

LINDO DEMAIS!

"enquanto não coagula a seiva
exposta a luz ou a sombras"

E sempre demoram a coagular!

Beijos, poeta!

Mirze

Andrea de Godoy Neto disse...

decantação e encantamento nesta vertente de versos...

lindo poema, Celso!

um abraço pra ti

Suzana Martins disse...

Na palavra bruta um verbo doce escorrendo saudades.

Na palavra doce, a brutalidade da alma em sangue de versos cruéis.

E assim, explode os versos num verbear sem fim, deixando exposta a alma.

Lindo demais, meu amigo.

As suas palavras encontram a minha alma no sem fim.

beijos

rauau disse...

bonito... contendo as palavras, amplificando a racionalidade sensorial rumo ao imaginário impossível de que é feita a vida|poesia

abraço, amigo

Jorge Pimenta disse...

poema em mineração permanente. o mistério insondável da criação poética por entre os atalhos e os becos do(e) tempo. e o momento é agora, e o momento é sempre.
um abraço em estado de de[en]cantação permanente diante da tua escrita, querido amigo!

Luna Sanchez disse...

Palavra apurada...Ah, como eu gosto!

=)

Um beijo, Celso, bom fds.

Wania Victoria disse...

Celso,

É sempre bom estar aqui para ler estes teus transbordamentos poéticos!
Chego rasa e saio plena daqui...


Bjs, meu amigo

Lua Nova disse...

Pungente!
A lava ardente como a palavra bruta, transbordam das entranhas para a celebração e purificação pela qual a vida anseia.

Celso, quando terei a honra de sua visita no meu blog e o carinho do seu comentário? Espero vc para saborearmos um chocolate.
Beijokas e um lindo domingo.

Fátima disse...

Oi Celso,

E encanta fico com um poema quanto o sinto assim.

Beijo meu

parole disse...

Olá Celso,

Os teus poemas são uns transbordar da mais pura sabedoria e beleza poética.Não me canso de repetir... amo te ler.

Beijos, querido.

Yzzy Daniel Myers disse...

INEFÁVEL..LINDO, GENIAL, VERDADEIRO, RITMO, IMAGEM E LIRISMO AFLORADO....PLAC PLAC PLAC....DE PÉ.

Tiago do Valle disse...

Maravilhoso!!! Demais, Celso...

Dolce Vita disse...

Decantação primorosa.

Beijos

Lídia Borges disse...

Fantásticas as tonalidades das imagens criadas:

"imagens germinam e dançam
no céu vermelho da boca
sonho ante sonho
verbo pós verbo..."

Um beijo

Wasil Sacharuk disse...

A singularidade da tua obra sempre encanta.

Luiza disse...

Espetacular, desde o começo até o final. Tem um recheio bom esse poema.

Beijos

Luna Sanchez disse...

Quero post novo.

Beijo.

parole disse...

Eu também... rs

Bjs

Raul Macedo disse...

Belo poema, Celso. A decantação (desde o título) na boca-saliva úmida, imagens e sonhos pela boca - a seiva querendo ser coagulada no poema.
Toda vez que leio "coagulação" em um poema, lembro dos versos de Ungaretti: "Sou um poeta/ Um grito unânime/ Sou um coágulo de sonhos"
Abs

Jorge Pimenta disse...

saudades das tua voz, querido amigo!
um abraço!

Antonio Carlos disse...

Verteduras, vertigem, do verbo a luz, da imagem a dança do poema e seu escritor. Abraços

manuela barroso disse...

Uma decantação perfeita.
Como sempre
Boa semana