sábado, 8 de novembro de 2014

Pseudopoema branco para musas do fogo


como hei de fazer um poema
se não me escarram palavras
com sangue para cuspir
se não há fogo em minha glote
ou frio no plexo celíaco
se a estrada estaciona calma em minha porta
sem placas ou avisos
e se não sei o trecho onde encontrar meus rubros?

delicadezas não me compõem
[palavras azuis ou rosas são para delicados, não quero confessá-las aqui]

então
diga-me
que devo fazer se
neste momento
em minhas mãos
tenho apenas um ramalhete de versos  brancos
e frágeis
para te ofertar?

#celsomendes

4 comentários:

Dolce Vita disse...

Ler-te é um privilégio! Beijos

cirandeira disse...

Ah, meu amigo poeta, às vezes, o sangue é tanto, as palavras tão rubras, que as mãos sequer rabiscam um "verso branco". As palavras coagulam-se, e ressequidas em seguida tornam-se
pó à porta da boca...!
Teus poemas têm múltiplas cores e matizes, e são sempre belos!

Um beijo, poeta!

Selê Marino disse...

Quando há razões tamanha, o poeta rasga as vestes e torna-se o próprio poema!

Belo!

Dolce Vita disse...

Relendo tua arte no trato da palavra. (Boas Festas e muitas alegrias em 2015 meu querido amigo) Beijos