sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Breve cantiga para mais um anoitecer

cada gota de sombra
faz a noite pousar
pele sobre pele
enquanto as palavras se aninham no silêncio
[o silêncio fixa sensações]

recolhem-se as flores que adornavam o vento
aromas são lembranças do desejo do pólen
e no escuro se guarda cada fóton sentido

[o mundo cabe numa pupila
ou num trecho de epiderme]

(Celso Mendes)

17 comentários:

Suzana Martins disse...

"o mundo cabe numa pupila
ou num trecho de epiderme"

Você domina as palavras de uma maneira singular. brinca com elas, induz em sentidos que só alma entende. É uma dança de versos que contagia o sentir.

O mundo cabe em suas letras ou em pequenos trechos de suas entrelinhas...

Beijos e lindo final de semana, meu querido!!

Dolce Vita disse...

E só a poesia toca o sentido com tamanha profundidade e beleza.

Bom demais ler-te!

Beijos

MIRZE disse...

Tinha que ser seu!

Tua poesia é de uma beleza ímpar. Talvez nem sintas o que passas através desta arte.

"e no escuro se guarda cada fóton sentido"

Fenomenal!

Beijos poeta!

Mirze

marlene edir severino disse...

Celso,

O silêncio é poderoso: amo!

"[o mundo cabe numa pupila
ou num trecho de epiderme]"

... É lindo demais!
Perfeito este teu poema, Celso... Gosto cada vez mais do que escreves!

Beijo carinhoso

Jenny Paulla disse...

o mundo cabe nas suas palavras que se pulverizam em destino.

manuela barroso disse...

"O mundo cabe numa pupila ou num trecho..."
...porque somos maiores ou porque somos muito?
Porque sentimos tanto em tão pequeno espaço...
Porque é na sombra do silêncio, no escuro da sombra que perscutamos mais aromas...
...linda, imensa cantiga para meditar!
Belo. Simplesmente.
Bji, Celso

CARLA STOPA disse...

O mundo em dois pedacinhos de uniVERSOS...

Jorge Pimenta disse...

vejo perpassar no gradil dos dias este anoitecer que se faz infinito em cada pedaço de ser; olhos ou pele? tanto faz. são, afinal, pontos negros em alinhamento minudente com todos os sonhos e realizações que nos tornam homens e mulheres, plenos, não-metades. ai, a inveja dos deuses que não conhece sintaxe, mas (pre)sente-se em "cada gota de sombra".
forte abraço, poeta fantástico!

Daniela Delias disse...

Um poema exato...o mundo cabe mesmo nessas pequenas-imensas coisas! Mto bonito! Bjos!

Luna Sanchez disse...

Somos cada poro.

Tão bonito, Celso...Fui lendo e mergulhando em mim.

=)

Beijo grande, moço querido.

Assis Freitas disse...

este final é pura catarse, grande poema



abraço

Luiza Maciel Nogueira disse...

Poema imenso Celso, imenso! E essa das pupilas e epiderme é uma máxima para se degustar em cheio. Beijo

Adriana Karnal disse...

" o mundo cabe numa pupila"...adorei essa ideia de imsensidão guardada em nossa visão.

Menina no Sotão disse...

Que delícia esse seu versar e fechou de uma forma tão intensa. Com o mundo (tão grande) se limitando a um trecho de epiderme. Delicioso. A vida é assim mesmo, se agiganta a partir das pequenas coisas e reduz o mundo ao nosso quintal. rs

bacio

Lídia Borges disse...

[o silêncio fixa sensações]


Sensações que esvoaçam ao sabor de um vento feito lembrança.

Sempre tão belos, os seus poemas.

Um beijo

Tiago do Valle disse...

Fantástico! Lindo, Celso!

Menina no Sotão disse...

Eu gosto de perceber o mundo ali, em seu canto, bem dentro, bem fundo quando fecho os olhos e só permito perceber os cheiros e sons. As coisas se agingantam e tudo se encolhe dentro de mim.

bacio