sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Desexplicações, inutilidades e desconhecimentos

aqui, sem um porquê, eis-me, a catalogar inutilidades e a fazer apologia da utilidade do desconhecido, do não saber para procurar. espero destas palavras nada além de um alvoroçado desentendimento, um gotejar de sílabas perplexas ao perceber seu próprio significado num plano que se estende além da linha de uma razão que não pretendo. até gostaria que elas falassem do contemplar horizontes como o mar contempla o pássaro ou a montanha contempla a árvore. gostaria, mas não creio que consigam ser tão desimportantes assim. mesmo porque não quero do albatroz o voo; quero o olhar. o plácido, belo, amplo, mas limitado olhar (meus limites fazem parte da minha infinitude). também ando a dispensar ruídos que não sejam música. prefiro continuar abarrotado de silêncios cúmplices, ensimesmado com este vácuo de sentidos plenos a serem ativados, que me amortalham a mente das sobriedades de um superego capenga e me revestem de saborosos vazios. vácuo de sentidos plenos para a água e para o fogo. preciso, necessito exorcizar convicções. e que um dia me livre, vez por todas, de todas as certezas que já construí. minhas inconsistências, celebro a cada momento. alimento-me de minhas dúvidas. e minhas incertezas acato como as minhas verdades. assim sigo. capto sensações, guardo as que me aprazem, convivo com as demais, sobrevivo com o que a vida me oferece. e a vida nada mais me oferece do que vivê-la. este é o tempo. a morte é atemporal.

20 comentários:

« Katyuscia Carvalho » disse...

Que prazer te ler em prosa!

Hoje eu pensava no quanto aprendo justamente com as pessoas que se buscam, que se constroem o tempo inteiro, com suas brechas e arestas, todas poros abertos para as descobertas e redescobertas... e olha onde venho parar: nessa pálpebra se abrindo...

Te aplaudo, meu amigo.

Analuz disse...

Pensar, analisar,entender nossas experiências e sensações é desperdiçar vida?
Já me acusaram disto.

Beijinho com admiração, Celso!

Wania Victoria disse...

Celso,


Para que asas se temos um par de olhos, não é mesmo? Felizes daqueles que apuram a visão nas emoções... voam dentro de si mesmo!


És bonito em verso e prosa, meu amigo!
Bj

MIRZE disse...

CELSO!

Juro que pensei estar lendo nosso Manoel de Barros!

Linda prosa esta!

Beijos

Mirze

Sandrio cândido. disse...

Seus ultimos textos parecem ter um lado pessimista, tragico que eu gosto muito de ver, afinal reflete um dos lados da pessoa humana, gosto muito!!!
abraços

Fátima disse...

Oi Celso,

Que limites fazem parte da infinitude de ser, lição que só se aprende com o tempo.
Momento belo esse teu, de belas palavras.

Beijo meu
Bom final de semana

Luiza Maciel Nogueira disse...

Celso, por aqui ecoa "ando a dispensar ruídos que não sejam música. prefiro continuar abarrotado de silêncios cúmplices..."

belo demais e estou concordando também, em parte.

Beijo

Jorge Pimenta disse...

querido amigo,
a maior poesia é aquela que se nega, se desvaloriza, se esconde enquanto lírica. porque no despretensiosismo do nada querer, tudo se toca e tudo se alcança. assim é com os grandes poetas-filósofos do nosso tempo, como caeiro e a sua reafirmação do pensamento na adoção da atitude do não pensar. ironicamente, a mão que cruza o texto pressente-o, mais do que o sabe: "gostaria, mas não creio que consigam ser tão desimportantes assim".
admirável esta prosa-poema, celso!
um forte abraço de admiração absoluta!

Assis Freitas disse...

desassossego, alvoroço, a alma que arde na palavra, assim existimos




grande abraço

Luna Sanchez disse...

Hey, guri, o teu texto é tão belo, certo, pleno, que chega a ser uma ousadia.

Não me atrevo a dizer nada além disso, não farei minhas palavras de intrusas, vou apenas apreciar.

=)

Sempre um prazer te ler, Celso.

Um beijo.

marlene edir severino disse...

Boa prosa, Celso!

Nesses últimos tempos tenho sentido uma urgência premente de que tenho esse instante presente, nada mais. O que não é novidade pra ninguém.

Mas me bate todo dia essa certeza aqui dentro...

Gostei muito!

Beijão, amigo!

Suzana Martins disse...

Nos limites de todas as letras, o tempo cerca as palavras de diversas maneiras que não consigo habituar. Ele é vívido, um tempo que escorre entre tantas letras e cercam tantas vozes num único sentir abstrato. Morre entre sentidos vácuos, mas é o tempo esse sentir atemporal...

Devaneei demais, não é?! rs...

Mas seus textos provocam em mim certas letras que até eu desconheço... rs

beijos querido

Daniela Delias disse...

Linda prosa...
Bjos!

Lídia Borges disse...

"minhas inconsistências, celebro a cada momento. alimento-me de minhas dúvidas. e minhas incertezas acato como as minhas verdades. assim sigo. capto sensações, guardo as que me aprazem, convivo com as demais, sobrevivo com o que a vida me ofere."

Um saber viver, amadurecido e sereno.

Linda, esta prosa poética!

Tiago do Valle disse...

Celso, essa sua escrita é uma livre-associação fantástica, que mergulha fundo nos sentidos. E há muita poesia na sua prosa...

Menina no Sotão disse...

Fui lendo e indo para dentro, fundo e ficando por lá em meio a suspiros e sorrisos. Um olhar para dentro e pronto. rs

bacio

Izaqueu Nascimento disse...

legal. fui percebendo a moção da vida na construção das palavras...

Parole disse...

Digo apenas que eu bebo da sua infinita sabedoria, Celso.Belo demais...

Beijinhos

Roberta disse...

Um prazer te ler, em prosa ou verso. A consistência poética marca presença, aqui desmancha, lá é um corte, ainda que delicado. Defendo os sentidos a serem ativados, plenos para água e para o fogo, turvo desejo como mirar um albatroz, querendo o olhar, sabendo o voo. Falas em sobriedade, não apenas por evocação sonora ouço iniquidade. Se não sentimos as incertezas, sufocamos o próprio sentido e injustiça cometemos: não deliramos, porque somos sóbrios, razoáveis. Isto sim, a morte. Por isso um ato de vida, abraçar as inconsistências! :)
Abraços,

manuela barroso disse...

...e foi uma espécie de fascínio com tanto que me é caro e onde me perco, me afundo, me divido me pergunto e ninguém responde. Só Eu.
E encontro aqui os vazios que preenchem, o silêncio que completa, a música em tudo que desperta um olhar, uma mudança de "direção". E se a poesia é ensurdecedora, não o é menos a prosa poética! E voltava a ler como um voo...
E sorri de admiração!
BOM NATAL, CElSO
Fraterno abraço!