quinta-feira, 28 de novembro de 2013

O Pó do Silêncio


nos cantos
onde a poeira conta histórias
busco explicações

encontro
o silêncio
vertido do grito
do riso
do rito
do choro
da chuva

palavras
perdidas
de olhares
ávidos
escorrem  brechas

das frestas
frases mudas
e desejos
contidos
preenchem
espaços
de vazios

(Celso Mendes)

8 comentários:

Celso Mendes disse...

Sem tempo ou motivação para escrever, começo a revisar antigos textos com a curiosidade de quem se auto-analisa e percebe as modificações tanto no seu modo de escrever como as motivações que, na época, me levaram a escrever (nem sempre claras no momento em que se compõe). Muito curioso esse exercício.

Celso Ribeiro disse...

Meu caro, buscarei mais tempo para visitá-lo aqui, para cuidar melhor da minha alma.

forte abraço.

Véïö Chïñä‡ disse...

Pois é! Vi esse cabra nascer (poeticamente) num boteco de doidos e latrinas ocupadas. Se não nasceu lá, por lá foi que deve ter sido contaminado pelo incorrigível vício da poesia. Desde então só sabe escrever maravilhas! Grande Celso Mendes. Parabéns!

marlene edir severino disse...

Escreve-se como exercício
para escrever, Celso!

Bom saber que retomas.

Abração, amigo!

Fred Caju disse...

Gostei da sua mão com verso curto.

Ana Carolina Medeiros disse...

"nos cantos
onde a poeira conta histórias
busco explicações"

Sei exatamente como se sente...

Exatamente lindo!

Katyuscia Carvalho disse...

Ando divagando pelo mesmo exercício que você mencionou... e por vezes nos surpreendemos com os "espelhos" que nos refletem nas palavras.

Um abraço, poeta.

cirandeira disse...

Meu caríssimo Celso, muitas vezes são nossos desejos contidos que preenchem o vazio que nos invade, mas um poeta como tu sempre encontra
frestas para dar passagem à beleza da tua poesia, mesmo que ela fique encoberta em algum canto de teu coração pela poeira dos dias. Quanto mais te "exercitas" mais brechas vão surgindo para dares vazão aos teus contidos desejos. Que 2014 seja um ano que solte os teus desejos!

Um grande abraço, amigo!!