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terça-feira, 25 de outubro de 2016

Palavra e vento

o que tenho não me pertence
e é disso que me alimento

vento e fumaça
palavra e silêncio
música e fúria

(Celso Mendes)

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Linear










há  uma tinta que me unge e urge
e neste momento não tenho segredos
apenas palavras futuras
e um impenetrável silêncio
que assola minhas linhas
de luzes tão tênues

(Celso Mendes)

domingo, 11 de maio de 2014

O TIRO


uma linha solitária
entre tantas paralelas

alvos em série

viro
não miro
atinjo um ponto

chuvisco cinzento
veludo cotelê
brisa gelada
calor de mãe

era um ponto distante

(Celso Mendes)

uma lembrança, uma eu criança, uma minha mãe

sábado, 26 de abril de 2014

Sincronicidade


cada espelho que atravesso
me lembra
em cada dia que anoiteço
que todo sol que ouso acender
e todo gesto que tento calar
não são mais só meus

(Celso Mendes)


terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Divagar, e sempre

(I)

sopram-me segredos oceânicos
[estabeleço uma latitude inatingível para meus sonhos]


(II) 

sobre  palavras que buscam o encanto
que ao vento se vergam
frugais
palavras de trigo
palavras que alimentam almas
debruço-me


(III)

do que foi dito
da lida, do lido
da prece aprendida ao olhar da noite
das confissões à sombra
rasgo fantasmas ao fogo de rochas cadentes
guardo o lume
insemino um novo sol
e prossigo


(IV)

de brisa leve ou de furacão. aprendi que chuva sempre pinga vida. que tempestade renova.
(no movimento perpétuo da matéria, a constatação de que somos mutantes)


(V)

— |acendo estrelas para cada novo sono•às vezes chove•amanhã acendo outra vez•às vezes brilha•acendo•por vezes dói•acendo•sempre vale a pena•um dia sei que apagarei| —



(Celso Mendes)

sábado, 12 de novembro de 2011

Breves reflexões sobre o imponderável existir


Renovação

é na descontrução das coisas
na demência do pólen
e do sêmen
na incontestável efemeridade
de cada pele
de cada pétala
que se nos afronta
a vida

(Celso Mendes)

Física

pedaços
de luz
caindo
sob um olhar
sempre me enternecem

[viver é interagir energias
captá-las, essencial]

(Celso Mendes)

Sem escolha

inevitável
cada minuto
insofismável
cada mudança
indescritível
cada pulsar

e a vida bate na cara

(Celso Mendes)

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Sobre dor ou prazer

flores de fel
soletram pétalas
em tímpanos perfurados
crivados de desejos

é que às vezes o amargo
parece mel

(Celso Mendes)

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Poemeto de consolar que se ama

 







eu te adormeço pouco o pranto
o pouco quanto tanto tento
e te desenho boca ao canto
um teu sorriso
encanto
intento

(Celso Mendes)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Escotoma cintilante

teu vulto vívido
povoa-me
os olhos
híbridos

lúcida loucura
desta
reticente
retina
que insiste
aprisionar
passarinhos

(Celso Mendes)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Saber do voo


eu faço versos de voos
que nem sei voar
e me arremesso às rochas
onde o silêncio me compreende.

(Celso Mendes)

sábado, 11 de dezembro de 2010

Espiando a poesia


por esta nesga de papel
escorrem sonhos
e as palavras brincam de voar

(Celso Mendes)

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Tropeço


ao cair no abismo
seguro-me em flores que sangram
esta minha insanidade

(Celso Mendes)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Vou contar uma coisa

Não escrevo poemas, somatizo sentimentos
e aqui, bem aqui os guardo...
Os que me escapam, contam meus segredos.

(Celso Mendes)

domingo, 5 de dezembro de 2010

Voo


não subestimes a brisa e a palavra
elas podem atravessar oceanos
e te levarem junto

(Celso Mendes)